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Cascão na mira de espiões? De descobridores de talentos? De alienígenas? De cientistas loucos em busca da fórmula da energia dos jovens?... Cada uma dessas vertentes pode ser considerada, visto que histórias em quadrinhos são um poço de surpresas. Algumas lógicas. Outras nem tanto. Mas o que sempre será lógico nos personagens dos bons quadrinhos é a humanidade. E você perguntará que humanidade haverá em figurinhas rabiscadas em papel. Essa é a diferença entre os personagens de historietas que se firmam e os que têm vida efêmera: humanidade. Por isso, desde o início da minha carreira profissional, escolhi me basear em figuras reais para criar os personagens. Foi assim com Cebolinha, Mônica, Marina, Nimbus...
Com Cascão, Maria Cebolinha, Magali, Do Contra... Porque eu sabia como cada um deles - filhos e conhecidos - pensa e age em determinada circunstância. E daí advém a humanidade, a sensação, no leitor, de que está vendo alguém conhecido, parecido com um parente, um vizinho...
E pronto: a identificação acontecendo, o personagem pega, vai pra diante. Quando são bichinhos, robôs, monstrinhos, devem ser tratados por nós, também, como humanos. Com as mesmas emoções. E daí se dá, de novo, a interação. Enquanto pudermos trazer humanidade para nossos personagens, estaremos nos comunicando com nossos leitores. Tanto aqui, na revista dos jovens, quanto lá, nas revistas infantis e acolá, na revista da tina adulta. Dois universos, o real e o ficcional... Necessitando da mesma chispa de vida/humanidade para se fazerem entender. Formulazinha que funciona na história em quadrinhos, no teatro, no cinema, na televisão... Assim, se você se decidir pela criação, procure um próximo para inspirar seu próximo personagem.
Vai dar mais certo.
Revista Turma da Mônica Jovem
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Mauricio de Sousa
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