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Eu me lembro.
De repente, eu não achava mais que meu pai era o rei do mundo. O cara mais bonito e forte da cidade, o super, super. Bem...
Não é que comecei a achar tudo isso de repente. Foi uma coisa que veio vindo.
Fazia algum tempo que eu já estava começando a não achar mais.
Principalmente quando ele falava de coisas que eu não queria mais ouvir.
Eram repetições. Coisas que ele falava, falava, e já me cansavam.
Sempre as mesmas coisas...
Cuidado com isso, cuidado com aquilo.
Faz desse jeito. Não faz daquele.
Mas eu já sabia tudo. Achava que tudo do meu jeito era melhor, mais criativo, mais corajoso do que ele dizia.
Por que acordar tão cedo?
Por que devia estudar tudo e tanto?
Por que eu devia cuidar da aparência como ele queria?
Por que voltar tão cedo pra casa?
Por que ter cuidado com as companhias?
Por que não usar minha bateria a qualquer hora? E sem protetor de ouvido?
E por que tantos nãos para as coisas que mais me atraíam?
O tempo passou.
Os sins e nãos ficaram lá pra trás. Agora é minha vez.
Onde está meu filho a esta hora?...
Confira os recados do Mauricio das edições anteriores
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